[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37563-pt":3,"doc-seo-37563-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37563,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","A Constituinte perante a história","Crítica literária sobre “A Constituinte perante a história”, de Homem de Mello, e sobre o romance histórico “Sombras e Luz”, de B. Pinheiro. O texto contextualiza a passagem do folhetim pela política e pela morte, lamenta a perda de leitores e discute a função obrigatória do gênero. Defende a necessidade de julgar com frieza e coragem o passado, ressalta o valor patriótico do estudo histórico e avalia limites do desenvolvimento e do desenho de caracteres no romance.","A Constituinte perante a história, pelo sr. Homem de Mello.—Sombras e Luz, do sr. B.  \nPinheiro.  \nTexto-Fonte:  \nCrítica Literária de Machado de Assis, Rio de Janeiro: W. M. Jackson, 1938.  \nPublicado originalmente no Diário do Rio de Janeiro, 24/08/ 1863.  \nEncetando hoje estas conversas, não posso dissimular o sentimento de tristeza que me domina.  \nOlho em torno de mim e não vejo mais na arena aquela plêiade ardente que vinha todasas semanas, ao rés do chão, entrar nas justas literárias. Uns, levou-os a morte, outrosprendem-se a cuidados mais sérios, alguns enfim foram-se para as justas políticas, e ofolhetim, o garrido, o ameno, o viçoso folhetim perdeu os seus amigos e os seus leitores.  \nE contudo sempre me pareceu que o folhetim era uma função obrigatória e exclusiva, para a qual nunca devia soar a hora da morte ou a hora da política. Era um erro .  \nTout arrive, dizia Taleirand, e foi preciso que eu visse o fato para acreditar que tambémao folhetim devia chegar a hora da política e a hora da morte.  \nNos bons tempos do folhetim era digna de ver-se a luta .  \nO estímulo entrava por muito no trabalho de cada um, do que resultava trabalharem todos com maior proveito e gloria. Hoje a melhor vontade há de nulificar-se no meio docaminho. É uma voz no deserto, sem eco nem competidores.  \nE é por isso que eu ficarei mui embaraçado se os leitores me perguntarem a que venho, eu, que nem tenho as razões de talento do mais ínfimo de outrora.  \nNão sei, é a minha resposta; e não creio que melhor se possa dar em grande número decircunstâncias da vida.  \nVenho talvez para nada.  \nSobre a extemporaneidade desta aparição há ainda a esterilidade dos tempos, do que sepoderia tirar uma conclusão: é que se os homens não abandonassem o folhetim, ofolhetim seria abandonado pelos acontecimentos .  \nPara conservar-se a gente segregada da repartição política, diga-me o leitor, onde irá buscar matéria?  \nNa imaginação, responderá, o que eu acharia bem respondido, se a imaginação fossenestas coisas matéria-prima, e não um simples condimento especial.  \nO que é certo é que nas notas que tomei para organizar estas páginas apenas encontro três assuntos. E pelo tom em que eles vão escritos posso acertadamente dizer que vãomais cheios de queixas que de caixas, como das frotas de açúcar da Bahia anunciava o padre Antônio Vieira.  \nMas é preciso dar de mão às queixas para tratar das coisas.  \nResume-se a minha bagagem da semana em dois livros e uma estréia.  \nO primeiro dos livros é uma reivindicação histórica escrita pelo sr. Homem de Melo, um dos mais notáveis talentos nacionais, no qual o verdor dos anos corre de par com aerudição e a proficiência literária. O título do livro é — A Constituinte perante a história. Trata o sr . Homem de Melo de provar que o período da Constituinte ainda não foi justamente apreciado pelos contemporâneos.  \nUm desejo constante de acertar, tanto na ordem das idéias, como na ordem dos fatos, eiso que se nota nos escritos do sr . Homem de Melo. É o que eu tive ainda ocasião de notarno pequeno mas excelente artigo que ele publicou na Biblioteca Brasileira, a respeito dogolpe de Estado de 1823. O pensamento do sr . Homem de Melo é altamente patriótico. Ele quer liquidar imparcialmente o passado para tornar mais fácil o inventário das nossas coisas aos historiadores do futuro. É difícil a tarefa, nem o sr . Homem de Melo dissimula: julgar a frio os homens de quem parece ouvir-se ainda os passos no caminho do nosso passado político, violentar as nossas afeições, modificar as nossas antipatias, é uma obrade consciência e de coragem, digna e honrosa, é certo, mas nem por isso fácil deempreender.  \nCompenetrado desta verdade, o sr . Homem de Melo procura e consegue evitar o perigo. Para esse resultado, em que toma parte a consciência do escritor, tenho para mim que contribui no seu tanto a índole do homem.  \nÉ o sr . Homem de Melo de natural frio e meditativo. 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